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Inovação - Internacionalização - Aceleração

UMA NOVA EFERVESCÊNCIA NO VALE VEM ATRAINDO MAIS E MAIS ADEPTOS A CADA MINUTO: AS CRIPTOMOEDAS

Por: Robert Janssen

Atualmente, as grandes vedetes tecnológicas no Vale são as criptomoedas, juntamente com a tecnologia que as viabiliza, o blockchain. Há diversos movimentos e comunidades se formando muito rapidamente. Toda semana tem eventos relacionados, e cada vez mais se nota a mesma efervescência de quando a internet se consolidou comercialmente em torno de 1996. O frisson está bem grande e parecido. Essa semana foi a vez da comunidade CryptoConverts, organizando em San Francisco “The World Crypto Economic Forum” e trazendo para o palco alguns dos pioneiros do bitcoin, como Nick Szabo.

Ontem, durante sua apresentação, confirmou sua projeção de que, no futuro, o bitcoin será a principal reserva de valor mundial. Szabo, formado em ciência da computação, acadêmico e criptógrafo, passou vários anos desenvolvendo ideias em torno da criptografia. Ele é padrinho intelectual do Bitcoin, foi quem desenvolveu o conceito de “bit gold” e escreveu um protocolo que foi o precursor direto do Bitcoin. Além disso, também desenvolveu o conceito de “contratos inteligentes” quase duas décadas antes de ser popularizado recentemente por uma das plataformas de blockchain de maior sucesso, o Ethereum. Nick, caso surfista, provavelmente seria um surfista de Mavericks.

Entretanto, ele não está sozinho na sua visão. Outras figuras proeminentes também compartilham horizontes semelhantes, um deles é membro do conselho do PayPal e CEO da Xapo, Wences Casares, que afirma enxergar um mundo no futuro em que o bitcoin se torna padrão de valor global e apolítico. Apesar de, quando perguntado sobre cryptoassets de forma mais geral, tenha sido rápido em apontar que qualquer pessoa que faça uma previsão nessa área não passa de mais um especulador. Para ver a entrevista na integra, siga o link: http://bit.ly/2DfFfNi.

Enquanto por um lado os pioneiros em tecnologia, em especial na área financeira, fazem apologia às criptomoedas, governos ao redor do mundo procuram coibir a existência oficial no mercado. Como fizeram as autoridades chinesas quando proibiram qualquer forma de negociação centralizada de moedas virtuais, os ICOs, e das quais o bitcoin é o maior. O CVM americano (SEC) formulou que os ICOs são considerados investimentos, portanto tratados como valores mobiliários na bolsa de valores. Além da China, o governo russo abriu, semana passada, uma investigação criminal envolvendo o bitcoin, o governo da Venezuela vem aprisionando os “garimpeiros” de bitcoin, e o governo coreano que primeiramente assinala proibir a negociação com bitcoin para depois negar a proibição, mas com certas condições.

A realidade é que estamos na fase inicial de um movimento novo, turbinado pelo antigo desejo de descentralização, e agora sustentado pela tecnologia, de criação de uma nova reserva de valor, ou seja, sem ingerência política. É justamente aí que vemos os governos resistirem à perda de uma autonomia vital para sua existência, enquanto o mercado busca avançar na esteira da incerteza e especulação, também características de uma tendência que pretende virar mainstream. No final, mesmo reconhecendo que a tendência da digitalização da economia seja inevitável, ainda é bastante prematuro definir uma rota certeira para uma economia alicerçada em moedas digitais descentralizadas. Novos capítulos certamente virão, mas o que resta responder é quando. E vamos nós em mais uma montanha russa (ou “bitcoinica”)!