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Inovação - Internacionalização - Aceleração

O Tsunami B4B

Por: Robert Janssen

Blockchain tornou-se o mantra tecnológico de 2017, seguindo os mantras de big data, inteligência artificial, IOT e computação em nuvem nos anos anteriores. Todos os anos, parece que algo entra no holofote e promete ser a salvação do mundo e resolver os problemas de todos em uma única varredura. A realidade é que nem blockchain, inteligência artificial (agora com cognitive reasoning) nem IoT vão resolver nossos problemas mundanos.

Motivado pelo nosso ponto de observação privilegiado no Vale do Silício, seguir as tendências e inovações disruptivas se torna o “modus operandi” padrão. Desde o início do ano, estamos buscando entender com profundidade como esta tecnologia vai afetar o mundo corporativo, o “blockchain for business (B4B)”. Através das imersões no Vale, conversamos com vários evangelistas do tema, bem como com alguns céticos, participamos de vários eventos, incluindo a mais recente conferência mundial realizada semana passada em Santa Clara, Blockchain Expo & Conference.

Sabemos hoje que blockchain não vai resolver todos os problemas, não é “sexy” e certamente não salvará o mundo. Porém, depois de muitas idas e vindas das imersões, conversas e eventos com diversos especialistas, esta nova tecnologia poderá definitivamente ser uma grande coisa, pois pode ser mais que um tsunami tecnológico alterando radicalmente as arquiteturas das redes, mas também um tsunami nos negócios: surgirá o B4B – Blockchain for Business.

Por ainda estar na infância e o B4B parecer uma solução em busca de um problema, além de poucos entendem o que realmente faz ou o problema que soluciona, um dos seus principais méritos tanto nos blockchains privados quanto públicos, e vale mais a pena defender essa tese, é ser possível finalmente quebrar o paradigma do intermediário e da confiança, componentes que são, definitivamente, bolas de ferro na cultura empresarial brasileira.

Blockchain Reinventa Como Confiar na Era Digital

Um dos conceitos mais fundamentais do B4B é repensar a forma como confiamos uns nos outros. Em termos simples, o blockchain tira a noção de ter que confiar em um intermediário, seja um banco, uma empresa legal, ou mesmo um ao outro. Blockchain começa com o pressuposto de que nós – instituições e indivíduos – não são fundamentalmente confiáveis.

Isso não é um absurdo se pensarmos sobre a existência de contratos tradicionais, lidos várias vezes em detalhes, assinados e testemunhados por várias pessoas, com contratação de advogados, por vezes bastante onerosa, etc. A arquitetura distribuída do Blockchain e a combinação de transferências de chaves públicas e privadas confiam na própria rede de blocos com distribuições predefinidas. Nenhuma entidade sozinha dentro do blockchain pode ser o único guardião da “confiança”, apenas quando há um consenso de entidades invioláveis concordando com a validade e exatidão de uma transação, onde fica determinado que aquela transação é confiável.

Em termos práticos, o B4B significa que qualquer transação comercial, particularmente aquelas com cadeias de confiança fragmentadas (vários pontos de checagem), como o movimento e o acesso a prontuários médicos ou um manifesto de transporte (AWB) na cadeia de suprimentos, poderá ser reinventada radicalmente com níveis de segurança, confiança e eficiência antes inimagináveis.

Os contratos que aplicam o Blockchain automatizam a confiança. Contratos legais estão no cerne de quase todos os negócios e vêm de várias formas. Aplicar a tecnologia de blockchain para empresas ainda utiliza o conceito de “contratos”, mas com uma estrutura muito diferente da norma.

Um contrato legal tradicional é, na essência, um acordo vinculativo. Essencialmente, eles definem um produto ou serviço a ser entregue, as obrigações que são colocadas em cada parte no contrato e, muitas vezes, o preço a ser pago e as condições em que um pagamento deve ser feito. Um contrato legal tradicional geralmente vem na forma de um documento que é acordado e assinado por todas as partes interessadas. Ou, de forma mais simples, um contrato é uma lista acordada de promessas entre duas ou mais partes que, em essência, não confiam uns nos outros.

Os chamados contratos “inteligentes” que usam blockchains executam a mesma função, mas com uma estrutura completamente diferente. Os contratos inteligentes pressupõem desde o início que nem todos podem ser confiáveis. Um contrato inteligente, então, é um conjunto de atividades orientadas por computador que impõem o desempenho e o processo de um contrato eliminando qualquer dúvida. As ações que definem quem, como, quando e o que acontece na execução de cláusulas contratuais são automatizadas pelo blockchain (cadeia de blocos).

Blockchain, portanto, desafia o conceito de confiança que adota intermediários e, em vez disso, confia no mecanismo automatizado (digitalizado) da rede. Esta possibilidade tem o potencial de criar uma forma radicalmente diferente e mais eficiente de processar transações comerciais e seus documentos associados, e isso está chamando enorme atenção do mercado.

Ao longo dos últimos dois anos, mais de 40 consórcios diferentes da indústria foram formados pelas maiores e mais importantes empresas de transporte, jurídicas, de saúde, contabilidade e seguros (que dependem fortemente dos processos documentais tradicionais), juntamente com empresas de TI que vão desde a IBM e a Microsoft, bem como uma série de startups como Sphereon e A Star Labs, para mapear o uso futuro do blockchain em suas respectivas indústrias.

Blockchain é, sem dúvida nenhuma, a nova ordem do dia, e em algum momento será fundamental para qualquer profissional de informação. Ainda estamos na infância do Blockchain, mas aqueles que se envolverem agora certamente serão parte de uma “nova onda” de documentos, registros e gerenciamento de informações, e serão os primeiros a “surfar” este tsunami tecnológico no mundo dos negócios, o que o mercado já chama de B4B – Blockchain for Business. Para nós brasileiros, pode ser um tsunami cultural e mudar o sentido da sigla B4B para “Better for Brazil”.

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